O mercado publicitário dos Estados Unidos não está fazendo um bom trabalho de treinamento, motivação e retenção de funcionários. “Somos uma indústria focada em pessoas, mas não entendemos isso no relacionamento com nossos empregados”, afirma Andrew Benett, CEO da agência Arnold Worlwide.

Ele apresentou durante a conferência 4 As Transformation um estudo que mostra problemas neste aspecto. “Eu sabia que a situação era ruim, mas não tanto”, analisou a presidente da 4 As Nancy Hill.

De acordo com o estudo, 30% da força de trabalho das agências deixa o emprego após 12 meses, e 70% dos empregados chamariam um recrutador se algum passar por ele. E um total de 96% afirmam que eles poderiam conseguir um emprego facilmente, por conta da melhora na economia.

“Não estamos seguindo nossos próprios conselhos. Não temos tido tempo de anunciar a nós mesmos, de cuidar de nossos talentos”, afirma Benett. “Dizemos que o talento é o nosso ativo número um, mas olhamos mais para os gerentes. A receita acaba sendo mais importante”, analisa.

De acordo com o estudo, a saída das pessoas das agências não significa um adeus ao mercado. Cerca de 37% afirmam que esperam ficar entre um a cinco anos em publicidade, e 66% planejam trabalhar com isso por mais de cinco anos.

Em relação a treinamento, os empregados dizem que fazem tudo por si próprios. Mas existe uma grande desconexão entre o que eles e os gerentes dizem: 90% dos empregados afirmam que aprenderam a resolver problemas por si próprios. Apenas 25% dos executivos dizem que seus empregados resolvem as questões dessa maneira. “O barista do Starbucks tem mais treinamento do que a média do mercado de comunicação”, afirma Benett.

“É um mercado bastante atrativo, mas não sabemos lidar com isso. Não fazemos um bom trabalho de marketing para nossas pessoas”, critica. Benett oferece cinco soluções para mudar as atitudes dos empregados: investir em talentos no estágio inicial da carreira, como nas escolas; promover treinamentos cruzados; introduzir novos incentivos, como financiamento de educação; corrigir gerenciamentos de performance e engajar os funcionários em um discurso sobre sua carreira.

“É uma questão importantíssima e que nos deixará presos em nossas salas para corrigir. Precisamos de um compromisso do mercado e das agências”, afirma Benett.

Do Advertising Age.