A premiada parceria entre Burger King e Crispin, Porter + Bogusky não existe mais. Em um comunicado em conjunto, agência e anunciante informaram na manhã desta sexta-feira, 18, o fim da relação que trouxe para a publicidade cases como Whopper Sacrifice e Subservient Chicken.
A decisão pode ter a ver com a mudança de controle da rede em setembro do ano passado. O fundo de private equity 3G, de propriedade dos sócios brasileiros Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles, comprou a rede por um valor próximo a US$ 3,3 bilhões, mais dívidas.
Em fevereiro, a empresa havia anunciado a saída da CMO global Natalia Franco, após nove meses no cargo. Antes dela, Russ Klein estava na função. Uma das decisões do novo comando foi o alinhamento do marketing global, com redução de funções. A empresa, por exemplo, tinha um CMO somente para a operação norte-americana, que acabou deixando o cargo em dezembro.
O Advertising Age tem ouvido de fontes que muitos funcionários de Burger King têm recebido pedidos para se mudarem para o Brasil. Além disso, muitos profissionais do marketing estão deixando a companhia, conforme o foco da tomada de decisões têm sido direcionado de Miami para o Brasil. Existiria ainda a possibilidade de a agência brasileira, no caso a Ogilvy, herdar a conta global – ela já possui a verba brasileira. Mas a assessoria da agência não se posiciona sobre o fato.
“Tivemos uma relação muito bem sucedida nos últimos sete anos e meio. Neste período, nossa parceria criativa resultou em incontáveis campanhas inovadoras e engajadoras para a marca Burger King. Estamos orgulhosos de tudo o que fizemos juntos, mas decidimos em comum acordo que este é o momento de tomarmos caminhos diferentes. Continuamos fãs uns dos outros e desejamos à outra parte muito sucesso no futuro”, afirma o comunicado em conjunto.
Prêmios e mais prêmios
A Crispin, Porter + Bogusky tem uma lista de serviços prestados ao anunciante que inclui “Subservient Chicken”, a ação em que um rapaz fantasiado de galinha realiza todos os desejos dos internautas, “Whopper Sacrifice”, em que as pessoas que sacrificassem 10 amigos no Facebook ganhavam um Whopper, e “Whopper Virgins”, em que pessoas de locais remotos do mundo experimentavam pela primeira vez o sanduíche do Burger King e do concorrente McDonald´s, analisando qual era o melhor.
A agência está por trás também do garoto-propaganda da rede, o Rei, e da ação “Whopper Freakout”, que mostrava por meio de câmeras escondidas a reação das pessoas ao descobrirem que o cinquentenário sanduíche Whopper deixara de existir o que, para sorte de muitos, era mentira.
Aliás, um dos principais nomes por trás dessa comunicação é Alex Bogusky, que deixou a agência no segundo semestre do ano passado. Ele escreveu o divertido livro “The 9-Inch Diet”, que clama pela redução das porções das refeições dos norte-americanos.
No ano passado, a Ogilvy brasileira levou quatro Leões por conta do case Whopper Face, para o anunciante em nosso País. Na ação, a embalagem do sanduíche exibia o rosto do consumidor.
Fonte: Meio e Mensagem

