Porta-voz: Alexandre Espirito Santo, professor de economia da ESPM e sócio e economista-chefe da Way Investimentos
A recente queda do dólar frente ao real tem produzido efeitos positivos em diferentes áreas da economia brasileira, mas também levanta dúvidas sobre sua sustentabilidade e possíveis desdobramentos.
Segundo o economista Alexandre Espirito Santo, professor do curso de Administração da ESPM e sócio da Way Investimentos, a desvalorização da moeda americana contribui para aliviar a inflação, especialmente ao baratear commodities, com destaque para produtos agrícolas — o que pode impactar diretamente o preço dos alimentos. “Além disso, consumidores e empresas também se beneficiam: viajar para o exterior fica mais barato e dívidas atreladas ao dólar se tornam menos onerosas”, diz.
Por outro lado, o economista ressalta que esse movimento não reflete, necessariamente, uma melhora estrutural da economia brasileira. Na avaliação dele, a valorização do real está mais associada à desvalorização global do dólar, evidenciada pela queda do U.S. Dollar Index (DXY) nos últimos meses — indicador que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de moedas de países desenvolvidos.
Para Espirito Santo, traçar um cenário é desafiador, já que as incertezas se intensificam diante do ambiente político. “Em ano eleitoral, a taxa de câmbio tende a apresentar maior volatilidade, especialmente em contextos de polarização. Isso pode influenciar decisões de investidores e voltar a pressionar o dólar”, diz.
Diante desse quadro, o momento atual pode representar uma janela de oportunidade para quem precisa comprar a moeda americana, embora ainda haja incertezas sobre a manutenção desse patamar no médio prazo.


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