Uma situação vivenciada por muitos profissionais de diversas áreas é a insatisfação e consequente infelicidade no trabalho. Mesmo para aqueles que são bem remunerados ou que construíram uma carreira avaliada pela maioria das pessoas como sendo “de sucesso”, sentimentos negativos podem igualmente vir à tona ou ficar adormecidos por anos a fio. Muitas vezes, isso pode levar ao desperdício de uma vida inteira.

Geronimo Theml, cansado de exercer um cargo público que já vinha ocupando por 14 anos, abriu mão de um contracheque altíssimo e a segurança do funcionalismo público para desempenhar uma tarefa que realmente lhe fazia feliz: ensinar os outros a procurarem o caminho da satisfação pessoal e profissional. Ele se tornou coach e passou a “viver pela paixão”. Em sua nova profissão, ainda descobriu um novo nicho: treinar outros coaches e, posteriormente, ser um coach de coaches.

No início de sua trajetória, Geronimo conta que, quando ainda estava escolhendo sua profissão, optou por cursar a faculdade de Direito para agradar o pai. “Sou filho de taxista e datilógrafa e cresci ouvindo meu pai dizer: ‘Meu filho? Meu filho vai ser médico ou advogado’”, relembra. Assim, quando prestou vestibular, diz que escolheu o curso de Direito por “não gostar de sangue”. Hoje, avalia que tomou essa decisão por não saber para onde queria ir. “Quando você não sabe para onde vai qualquer caminho serve, o que eu chamo de Síndrome de Alice. Era o meu caso, não sabia para onde queria ir, então o caminho do curso de direito servia naquele momento”, completa o coach. Para ele, a Síndrome de Alice, personagem principal de “Alice no país das maravilhas”, é o principal problema das pessoas infelizes.

A decisão de abandonar a função pública, entretanto, ele admite que não foi fácil. “Meus amigos diziam que eu não estava pensando nos meus filhos, que na época tinham quatro anos”. Para o coach, o que mais pesou na tomada da decisão drástica foi que, naquele momento, não se orgulhava das histórias que estava construindo. “Um dia todos nós vamos viver só de histórias e sempre me perguntava de que histórias eu iria querer viver no futuro”.

Nova rotina com vida plena

Após livrar-se do peso e da “vida de zumbi”, como ele mesmo define, Geronimo alcançou a “vida plena” e descobriu a felicidade em sua nova profissão. “O que eu realmente amo fazer é ajudar as pessoas a acreditarem que podem ser melhores e caminharem nessa direção. Então, o trabalho de coach foi perfeito, e ainda sou bem remunerado por isso”, salienta.

Para descobrir esse caminho, ele fez uma pequena análise do cenário de coaching. Segundo estudo da International Coaching Federation (ICF), no Brasil, existe quatro coaches atuantes para cada milhão de habitantes. Nos EUA, são 40 coaches para 1 milhão de habitantes. “Vi que havia uma enorme margem de crescimento. Ocorre que eu olhava ao meu redor e via que meus colegas de formação e outros coaches simplesmente não conseguiam entrar no mercado, não tinham clientes e acabavam desistindo da profissão”, aponta. Geronimo, então, percebeu que tinha um método de trabalho diferente para se posicionar no novo mercado e conseguir clientes. “Comecei a ensinar para outros coaches e alguns deles também conseguiram ter sucesso profissional”.

Hoje, o coach acredita que o trabalho desempenhado em seu dia-a-dia é proveitoso tanto para ele quanto para seus clientes e, consequentemente, os clientes dos clientes. A satisfação que o trabalho lhe proporciona é refletida na melhoria de sua qualidade de vida, conforme enseja. “Uma pessoa que vive pela sua paixão tem uma vida plena e eu posso garantir que a tenho hoje. Me sinto vivo, fazendo diferença na vida das pessoas e construindo as histórias que vou ter orgulho de contar”.

Como viver pela paixão

O profissional ensina para aqueles que estão dispostos a viver pela paixão que, antes de tudo, é preciso se curar da Síndrome de Alice. Como num quebra-cabeças, acredita o coach, a vida se constrói por peças, e, sendo assim, sugere que seja inicialmente definida uma fotografia desse quebra-cabeça montado.

“É como se a cada dia você enfiasse a mão dentro de um saco e tirasse uma pecinha. Viveu um dia… pega uma pecinha”. Montando aos poucos, peça por peça, parte de uma imagem que terá no final já começa a surgir. “Se você não sabe qual é a fotografia exata do seu quebra-cabeça, você não sabe qual é a peça que tem que pegar a cada dia, e é aí que se instala a Síndrome de Alice”, completa. Então, o primeiro passo para quem quer viver pela sua paixão, é definir com precisão qual é a fotografia que quer montar para sua vida.

O coach de coaches relembra que os resultados do novo caminho podem demorar. Ele explica que não é possível se desfazer de tudo o que construiu por longos anos de sua vida em apenas semanas. “Você vai precisar de um plano e tranquilidade para pegar as peças necessárias para construir as histórias que você vai se orgulhar de contar”, ensina.

Sobre Geronimo Theml

É coach, palestrante e empreendedor. Possui graduação em Direito e é mestre em Direito Empresarial.
Idealizou o programa Profissão Coach, que capacita coaches a terem sucesso profissional. Especializado em mudança de comportamento, aborda em suas palestras diversos temas, como aumento de produtividade, realização pessoal e assuntos voltados ao desenvolvimento profissional.
Site: www.geronimotheml.com.br