Profissionais trocaram mensagens sobre a demora do site Folha.com em publicar a notícia da morte de José Alencar

O editor-assistente do caderno de política da Folha de S. Paulo e uma repórter do Agora SP foram demitidos por causa de críticas postadas no Twitter. Alec Duarte e Carol Rocha trocaram mensagens sobre a morte de José Alencar, falecido no último dia 29 de março, e criticaram a demora do site Folha.com em publicar o obituário, lembrando que esse é o preço a pagar “por um erro gravíssimo”, em alusão a uma falha da versão impressa da publicação, em 2010, que noticiou a morte do senador Romeu Tuma quando ele ainda estava vivo.

A repórter Carol Rocha criticou a demissão e disse considerá-la um ato de retaliação. “É nosso perfil pessoal e foi um comentário normal, não teve repercussão, retuítes, mas fomos demitidos mesmo assim”, afirma em matéria do Comunique-se.

 

Em carta à ombudsman da Folha (uma espécie de ouvidor do jornal), Suzana Singer, Carol fez mais críticas. “Você não acha hipocrisia o jornal negar – ou censurar comentário sobre o tema – que depois da notícia errada sobre a morte do Tuma, os cuidados foram redobrados? Nada mais natural. Mais hipocrisia ainda é um jornal que zela tanto pela liberdade de expressão, que diz não admitir qualquer tipo de censura, praticar a mesma censura contra seus funcionários. Me lembro que o manual de redação diz alguma coisa como ‘somos abertos a críticas’. Sério? Não conheço ninguém que tenha criticado a Folha e não tenha sofrido represália”, escreveu.

A ombudsman da Folha rebateu as acusações. “Não acho que isso seja censura. A Folha tem meios de fazer e receber críticas (painel do leitor, ombudsman, o blog da crítica interna, a seção erramos). Imagina se todo jornalista resolvesse colocar na rede os erros de colegas e desafetos”, disse.
 

As informações são do Comunique-se.